No caminho da Serra da Bocaina - by Renata - 12/2006
Quando li "A louca da Casa" de Rosa Montero, me deparei com várias passagens que pareciam ter sido tiradas da minha vida. A leitura desse livro foi um dos caminhos que apareceram na minha frente e que me fizeram querer escrever e tornar público os meus pensamentos, as minhas vontades, as minhas lembranças, as minhas idéias. Assim como Rosa, escrevo em vários momentos do meu dia, mas principalmente quando estou dirigindo ou antes de dormir.... Pena que raramente tenho um papel por perto para poder colocar esses pensamentos....que se vão assim que o papel aparece......
"O escritor está sempre escrevendo. Nisto consiste a graça de ser romancistas: na torrente de palavras que borbulham constantemente em seu cérebro. Já redigi muitos parágrafos, inúmeras páginas, incontáveis artigos enquanto estou passeando com meus cachorros, por exemplo: na minha cabeça vou deslocando as vírgulas, trocando um verbo por outro, afinando um adjetivo. Muitas vezes escrevo mentalmente a frase perfeita e volta e meia, se não a anoto a tempo, ela me escapa da memória. Resmunguei e me desesperei muitíssimas vezes tentando recuperar aquelas palavras exatas que por um momento iluminaram o interior de minha cabeça e depois tornaram a mergulhar na escuridão. As palavras são como peixes abissais que só nos mostram um brilho de escamas em meio às águas pretas. Se elas se soltarem do anzol, o mais provável é que você não consiga pescá-las de novo. São manhosas as palavras, e rebeldes, e fugidias. Não gostam de ser domesticadas. Domar uma palavra (transformá-la em clichê) é acabar com ela." (Rosa Montero, in A Louca da Casa)

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